BUSÃO
Dei uma dedada no ar,
O busão parou.
Subi, procurei um lugar,
Um cara estranho me acompanhou.
O desconforto da cadeira,
O barulho ensurdecedor,
A lerdeza na ladeira,
O sufocante fedor.
Sem a sorte de estar na janela
Tive que me contentar com o corredor.
Pro meu azar se aproximou uma velha,
Olhou pra mim e disse: – Faz favor.
Aí eu levantei e virei pingente,
O cara estranho levantou também
E se sentindo seguro entre tanta gente,
Me apertou e disse: – Se liga, dá tudo o que tem.
Pulei fora no ponto seguinte,
Custei pra me recuperar do enorme medo,
Saí perdido feito um pedinte,
Mas nunca mais ousei mostrar o dedo.