BUSÃO

 

 

Dei uma dedada no ar,

O busão parou.

Subi, procurei um lugar,

Um cara estranho me acompanhou.

 

O desconforto da cadeira,

O barulho ensurdecedor,

A lerdeza na ladeira,

O sufocante fedor.

 

Sem a sorte de estar na janela

Tive que me contentar com o corredor.

Pro meu azar se aproximou uma velha,

Olhou pra mim e disse: – Faz favor.

 

Aí eu levantei e virei pingente,

O cara estranho levantou também

E se sentindo seguro entre tanta gente,

Me apertou e disse: – Se liga, dá tudo o que tem.

 

Pulei fora no ponto seguinte,

Custei pra me recuperar do enorme medo,

Saí perdido feito um pedinte,

Mas nunca mais ousei mostrar o dedo.

 

Eduardo de Paula Barreto