BRUTA PEDRA
Sou cinzel e martelo,
Também sou a bruta pedra,
Sou a força que emprego,
Sou a musa que a mim se entrega.
Sou as lascas que se espalham,
Sou os cortes em minhas mãos,
Sou os suores que se evaporam,
Sou cansaço e sofreguidão.
Sou a alegria da surpresa,
Sou o brilho em meu olhar
Que surge frente à singeleza
Da obra que se faz brotar.
Sou o santo do andador,
Sou o criador e a criatura,
Sou o meu próprio escultor
E a minha própria escultura.
Eduardo de Paula Barreto