BOBO DA CORTE

 

 

Seja o firmamento,

Ostente-me como sua estrela.

Como um filho, broto, rebento,

Perceba-me mesmo sendo luz pequena.

 

Seja a árvore imponente,

Permita-me ser um dos seus frutos.

Se não for possível já serei contente

Como casca seca que permanece junto.

 

Seja uma tempestade,

Deixe-me ser uma de suas gotas.

Prometo aceitar com naturalidade

Que se divida sobre a Terra toda.

 

Seja uma deusa,

Aceite-me como o servo que cuida de você o tempo todo,

Lhe prepararei a mais linda mesa,

Mas me contentarei em ser da sua corte apenas o bobo.

 

Eduardo de Paula Barreto