BEIJO BARULHENTO

 

Quando ouvirmos a orquestra

Que às alturas nos alça

Em passos sem pressa

Em meio à linda festa

Dançaremos a nossa valsa.

 

  Com trajes exuberantes

Apertaremos nossas mãos

E nos rodopios constantes

Trocaremos olhares de amantes

Enquanto valsamos no salão.

 

Embora iluminado

O salão parecerá escuridão

E por não sermos notados

Dançaremos de rostos colados

Contrariando a tradição.

 

  A orquestra perdendo o compasso

Emudecerá os seus instrumentos

Para aplaudir em estardalhaços

A beleza do nosso abraço

E o beijo mais barulhento.

 

Eduardo de Paula Barreto