BASTA REMAR
Quem me dera saber
O que o Universo espera de mim,
O quanto absorvi do que pude aprender,
O que tenho condições de oferecer
E por que para cá vim.
Mas talvez a grandeza do viver
Se encerre nos segredos,
Assim como é o prazer
Da criança que não consegue se conter
Ao desembrulhar o aguardado brinquedo.
Que graça haveria em assistir
A um filme policial
Se pouco antes de você sair
No caminho pudesse ouvir
Alguém revelando o seu final?
Eu sigo com a certeza
De que se não parar de remar
Superarei as correntezas
E antes de sucumbir à fraqueza
Em alguma ilha irei aportar.
Eduardo de Paula Barreto