BARATA VOADORA

 

Era uma vez uma enorme barata

Que deixava todo o mundo desesperado,

Ninguém sabia onde ela morava,

Mas era só alguém chegar em casa

Que ela parecia vir de todos os lados.

 

E para piorar a situação

Fazendo a família se enojar,

Ela gostava de imitar avião

Ora no alto, ora no chão,

A danada da barata sabia voar.

 

  Lançando um chinelo voador

O homem guardava um segredo

E usando a vassoura com todo o furor

Fingia ser cheio de destemor,

Mas na verdade estava morrendo de medo.

 

A família em uníssono gritava:

— Vai pai, mata ela!

Então o pai se desculpava:

— Não quero tirar a vida da coitada,

Vou esperar que ela saia pela janela.

 

As crianças ficaram revoltadas

E se aproximando do pai que fixava o teto

Disseram visivelmente indignadas:

— Ou o senhor mata essa nojeira alada

Ou a gente conta que o senhor tem medo de inseto.

 

Então o pai criou coragem

E saiu gritando com a boca escancarada,

A barata perdeu o rumo da viagem

E num erro de pilotagem

Aterrissou na língua dele que estava esticada.

 

O homem engoliu o inseto e desmaiou

E as crianças ficaram admiradas com a cena:

— Viu mamãe como o papai é protetor?

— Ele pegou a barata, a matou

E a engoliu só para a gente não ficar com pena.

 

Eduardo de Paula Barreto