BALA PERDIDA

 

 

Apagaram-se as luzes,

Surgiram chamas nas velas,

Ostentaram inúmeras cruzes,

Desceram os morros das favelas.

 

Caminharam olhando para o chão,

Parafina escorrendo pelas mãos, sofrimento irrisório.

Sobre a débil mesa um caixão,

Indignação em meio a um velório.

 

Um livro fechado jaz sobre a mesa,

História encurtada por um prematuro epílogo.

Jamais se saberá com certeza,

O que seria escrito no seguinte capítulo.

 

Cada unidade que compõe a raça humana

É o que garante a perpetuação da vida,

Mas quando um tiro é deflagrado de forma insana,

A bala se acha, mas a alma de quem atira é perdida.

 

Eduardo de Paula Barreto