BABEL

 

Ele mandava assentar os tijolos

Tijolos que eram sonhos

E ao longe dirigia os seus olhos

Enquanto ostentava um rosto risonho.

 

Conforme a torre crescia

Ele dos outros se distanciava

A soberba o consumia

A cada novo tijolo que assentava.

 

Suas mãos não exibiam calos

Os calos eram dos outros homens

Os quais trabalhavam sem intervalos

Sob as mais duras ordens.

 

Ao chegar ao esperado topo

Quase pôde tocar o céu

Mas ao tentar comunicar-se com o povo

Reconheceu ter erguido uma torre de Babel.

 

Eduardo de Paula Barreto