A VELHA

 

 

Tecidos espalhados na sala,

Agulhas perdidas,

Linhas confusas caindo da mala,

Lembranças esquecidas.

 

Crochês amarelados,

Corroídos lenços,

Bordados rasgados

Desgastados pelo tempo.

 

Mãos trêmulas e enrugadas

Acomodadas sobre pernas que já subiram ladeiras,

Mas que agora estão inanimadas

Entre as rodas de uma cadeira.

 

O futuro é pequeno e com poucas perspectivas,

Mas o passado é imenso, cheio de recordações.

A velha sentada respira o pouco que ainda tem de vida

E acredita na vida eterna por não ter melhores opções.

 

Eduardo de Paula Barreto