A VELHA
Tecidos espalhados na sala,
Agulhas perdidas,
Linhas confusas caindo da mala,
Lembranças esquecidas.
Crochês amarelados,
Corroídos lenços,
Bordados rasgados
Desgastados pelo tempo.
Mãos trêmulas e enrugadas
Acomodadas sobre pernas que já subiram ladeiras,
Mas que agora estão inanimadas
Entre as rodas de uma cadeira.
O futuro é pequeno e com poucas perspectivas,
Mas o passado é imenso, cheio de recordações.
A velha sentada respira o pouco que ainda tem de vida
E acredita na vida eterna por não ter melhores opções.