AUTOFLAGELO
Alimentar a mágoa
Nutrindo antigas tristes recordações
É como chorar de sede em meio à água
Ou de fome durante fartas refeições.
Quando damos importância
Às tristezas e decepções de tempos atrás
Elas ressurgem e em consonância
Nos atacam e nos ferem ainda mais.
As mágoas não devem deixar rastros
Que sejam visíveis no nosso momento atual
Assim como trocamos as velas, mas mantemos o mastro
Depois de um terrível e destruidor vendaval.
Lembrar a ferida que sofremos no passado
Não corrige aquele que a causou,
Apenas nos pune por alheio pecado
Mostrando que o passado vira presente travestido de dor.
Eduardo de Paula Barreto