ATRAVÉS DA JANELA

 

 

Nas profundezas da consternação,

No mesclar da alegria e pena,

Da janela de um quarto cheio de emoção

Deparo-me com a mais intrigante cena.

 

Ao olhar para o lado vejo um corpo inerte,

Através da janela vejo crianças brincando,

Contrasta-se então a vida que se perde

Com a riqueza de ilusão daqueles que estão chegando.

 

Enquanto uns secam as lágrimas

E se abatem diante da dura realidade

Outros, sem saber que a vida é trágica,

Pulando amarelinha pulam a infelicidade.

 

A essência da vida que se apagou

Como se fosse uma pequena chama de vela,

No infinito se dispersou

Partindo através da janela.

 

O homem que vê algo além da existência,

Que apesar dos mistérios se mantém forte,

Encontra paz em sua consciência

Diante da terrível certeza da morte.

 

Eduardo de Paula Barreto