ASFALTO ESCALDANTE

 

 

Olhando pelo retrovisor

Faixas na pista, correm, se vão.

Asfalto escaldante, no rosto o suor,

Decido aonde ir com as minhas próprias mãos.

 

Desconhecidos que passam jamais me verão,

São estranhos vindos de casebres ou palacetes.

A estrada é a mesma, mas cada carro uma direção

E eu sigo em minha moto escondido atrás de um capacete.

 

Acelero aflito, muito apressado,

Pois cada quilômetro é um tempo de vida.

Não posso voltar, o rumo já foi determinado,

Sigo sem me apegar à distância já percorrida.

 

Meu pensamento ultrapassa o limite da máquina,

Chega antes e abraça o meu bem-querer.

Aquela que mistura meu suor com minhas lágrimas,

De tanta saudade, o que me compele a correr.

 

Eduardo de Paula Barreto