ASFALTO ESCALDANTE
Olhando pelo retrovisor
Faixas na pista, correm, se vão.
Asfalto escaldante, no rosto o suor,
Decido aonde ir com as minhas próprias mãos.
Desconhecidos que passam jamais me verão,
São estranhos vindos de casebres ou palacetes.
A estrada é a mesma, mas cada carro uma direção
E eu sigo em minha moto escondido atrás de um capacete.
Acelero aflito, muito apressado,
Pois cada quilômetro é um tempo de vida.
Não posso voltar, o rumo já foi determinado,
Sigo sem me apegar à distância já percorrida.
Meu pensamento ultrapassa o limite da máquina,
Chega antes e abraça o meu bem-querer.
Aquela que mistura meu suor com minhas lágrimas,
De tanta saudade, o que me compele a correr.