A SERRA

 

Não foi em vão que subi ladeiras

Nem tola a minha escalada

A água fria das cachoeiras

E os escorregões nas corredeiras

Não tiraram o brilho da jornada.

 

Até as picadas dos insetos

Não me desanimaram

Senti-me um homem completo

Me mantendo sempre ereto

As trilhas se encurtaram.

 

A fome não conspirou contra mim

O calor não me fez desanimar

E olhando sempre para o fim

Em miragens surgiram querubins

Que vieram me estimular.

 

Ao chegar no topo da serra

Falei para mim mesmo: Nada mais me falta

Mas limpando do corpo a terra

Verifiquei que estava à minha espera

Uma outra montanha ainda mais alta.

 

Eduardo de Paula Barreto