ÁRVORE TOMBADA

 

Sentei-me à beira d’água,

Vi muita madeira a passar,

Minha alma estava magoada

E do meu lado a minha enxada

Se recusava a cavar.

 

Foram tantas as mudas plantadas

E tantas outras que tive que arrancar,

A mata agonizava

Enquanto eu cavava,

Havia folhas mortas por todo lugar.

 

A planta que não dava lucro

Era lançada na fogueira

E eu com poder absoluto

Decidia num só minuto

Quem viveria na sementeira.

 

Foram infinitas as mudas que sacrifiquei

As quais sonhavam em ser arbustos

E sentado à beira d’água pensei:

Que me perdoem aqueles que matei,

Me dói saber que fui injusto.

 

Mas jamais haverá justiça,

Sempre terei do que me arrepender,

Pois até as frondosas árvores frutíferas

Sofrerão a conseqüência da cobiça

E morrerão para que outros possam viver. 

 

E quanto mais árvores tombarem,

Mais dor haverá na minha alma sofrida,

Pois os tolos homens que as matarem

Construirão suntuosas casas para se abrigarem,

Mas viverão sem nenhuma qualidade de vida.

 

Eduardo de Paula Barreto