ÁRVORES CALADAS 

 

Nada por mim é reconhecido

Como melhor ou de maior valor

Do que os segredos contidos

Gravados, mas não esquecidos

No meu universo interior.

 

Quando saio do meu quarto

E caminho pelas avenidas

Percebo que me reparto

Uma parte sou eu de fato

E a outra é a memória coletiva.

 

Quando na multidão

Me comprimem de tal jeito

Que ofuscam a minha visão

E perdendo a direção

Nem a mim vejo direito.

 

Então saio em disparada

Indo para qualquer lugar

E quando ao lado não vejo nada

Além de gramas e árvores caladas

Finalmente consigo me reencontrar.

 

Eduardo de Paula Barreto

29/08/09