ARTIMANHA FEMININA
Numa certa manhã ouvi um grito,
A voz não me era estranha,
Tal som claramente provinha do íntimo,
Das profundezas das entranhas.
Alguém gritava: – Socorro!
Eu não sabia o que fazer,
De repente ouvi um alto choro
Então comecei a entender.
Ela estava sentada na calçada
Com suas mãos amparando a cabeça
E falou-me, visivelmente envergonhada:
– Vai me deixar aqui até que anoiteça?
Havíamos nos amado na noite anterior,
Mas pedi que ela voltasse para sua casa,
Fiz as mais lindas juras de amor,
Mas senti que ela foi embora contrariada.
Então naquela manhã ela me falou:
– Não quero tê-lo apenas como um amigo,
A única maneira de abrandar o meu calor
É se casando comigo.