ARREBATAMENTO
Sentei-me ao pé da serra
Com terra os pés cobri
E ali alimentei as quimeras
Sobre elas refleti.
Me vi mergulhando nas águas
Que mágoas podiam apagar
E a caminhar numa estrada
Lotada de cavalos para se montar.
Cavalguei trote lento
E o vento bateu brando
E no encanto do arrebatamento
Parou o tempo e saí voando.
Olhando lá de cima
A crina segurando firme
Abri-me à experiência divina
E minha vida mostrou-se num filme.
Na sabedoria fui minha liberdade
Na insanidade fui o meu próprio cárcere
E no ápice da posse da minha identidade
Vi o meu corpo inerte sob a árvore.