ARREBATAMENTO

 

Sentei-me ao pé da serra

Com terra os pés cobri

E ali alimentei as quimeras

Sobre elas refleti.

 

Me vi mergulhando nas águas

Que mágoas podiam apagar

E a caminhar numa estrada

Lotada de cavalos para se montar.

 

Cavalguei trote lento

E o vento bateu brando

E no encanto do arrebatamento

Parou o tempo e saí voando.

 

Olhando lá de cima

A crina segurando firme

Abri-me à experiência divina

E minha vida mostrou-se num filme.

 

Na sabedoria fui minha liberdade

Na insanidade fui o meu próprio cárcere

E no ápice da posse da minha identidade

Vi o meu corpo inerte sob a árvore.

 

Eduardo de Paula Barreto