O ARMÁRIO

 

Lembrei-me de ti quando tive fome,

Te ansiei quando solitário,

Tão alto gritei o teu nome,

Mas eram muito grossas as portas do armário.

 

Ouvi as tuas risadas

E as juras de amor,

Ouvi o choro de vida recém-chegada,

Testemunhei sons de alegria e dor.

 

Ouvi o barulho da água

E senti o teu perfume

E ao banhar-te acompanhada

Quase morri de ciúme.

 

Senti falta de ar,

Passei a ter medo do escuro,

Esqueci como se caminhar,

Apeguei-me ao futuro.

 

Então em meio à escuridão

Te ouvi baixinho me dizer:

— O Universo me deu como missão

Em nome do amor te proteger.

 

— Durante todos esses anos

Te mantive no armário do meu coração,

Agora abro as portas e digo ‘Te amo’

E peço que segures a minha mão.

 

Eduardo de Paula Barreto