AREIA NO CHINELO

 

 

Um pandeiro e um cavaquinho

Numa mesa de algum bar

A areia no chinelo, ai que belo

É o fim de tarde nesse mar.

 

O dia inteiro passa num segundo

Acaba o papo, sobra a música

As meninas mais lindas do mundo

Fazem da praia uma passarela pública.

 

Pra que chorar, pra que sofrer

Se está lá o Sol pra aquecer?

E mesmo quando ele se retira

Se despede e manda a Lua acender.

 

Cada momento é de alegria, vou comemorar

Não importa se é noite ou dia, vou sambar.

 

O cavaco e o pandeiro sempre a testemunhar

Que sou feliz o dia inteiro e não abandono esse mar

E só vou me deitar à noite porque tenho certeza

De que na manhã seguinte o Sol e o mar vão botar minha mesa.

 

Mesmo assim durante o sono aproveito pra sonhar

Que estou cantando um samba na mesinha daquele bar

E assim eu garanto que nunca vou abandonar

Aquela cadeira do canto onde gosto de sentar.

 

O samba pra mim é como o sangue na veia

Não me importo em dormir com o chinelo cheio de areia.

 

Eduardo de Paula Barreto