APRISIONAMENTO 
 
A cada singular momento
Tem gente morrendo de infarto
Enquanto uns choram pelo passamento
Outros choram de contentamento
Após o tenso momento do parto.
 
Os que choram de tristeza
Agem como se fossem afortunados
Por receberem da natureza
A gratificante certeza
De ainda permanecerem encarnados.
 
Os que embalam os recém-nascidos
Julgam testemunhar o nascimento
Também de mais um espírito
Como se o viver fosse restrito
A este período de aprisionamento.
 
Ao nascermos nesta Terra
Somos presos com correntes fortes
O nosso corpo é uma cela
A esperança é uma serra
E a vida é um corredor da morte.
 
Eduardo de Paula Barreto
29/07/2008