A POETISA
Fim de tarde, pássaros indo embora,
O Sol se escondendo atrás dos montes,
Animais noturnos pondo a cabeça para fora
Ansiosos para que a Lua desponte.
O calor sendo substituído
Por uma agradável brisa,
As flores da noite se abrindo,
Na janela surge a poetisa.
Imenso celeiro de inspiração
Que enche o seu peito de alegria,
Para cada animal ela faz uma canção
E para as flores ela dedica poesias.
A Lua aguarda a sua vez com ansiedade,
Para ver-se estampada num texto
E para não perder tal oportunidade
Muda a sua aparência como pretexto.
A noite se sente rica,
Fonte inesgotável de emoção,
Responsável por cada rima
Que surge das sensíveis mãos.
É manhã, a poetisa então se recolhe
E o Sol surge com profunda decepção,
Ele se insinua esperando que ela o olhe,
Mas ela é amiga da Lua e companheira da escuridão.
Eduardo de Paula Barreto