ANÚNCIOS
Quem sabe ainda chegará o dia
Em que sentirei alegria
Ao ler um jornal
No qual não verei a hipocrisia
Dos políticos com suas mordomias
E nem encontrarei página policial.
Nele não haverá matérias sobre os religiosos
Que circulam em carros luxuosos
Tendo nas mãos uma bíblia sempre aberta.
Aqueles que encontram nos olhos chorosos
Uma fonte de ganhos generosos,
Quanto maior a dor, maior a oferta.
Serão textos que alimentarão a esperança
Através das páginas dedicadas às crianças
E nos anúncios comerciais
Se lerá: Doa-se compreensão, tolerância,
Amor em abundância,
Pura amizade e muita paz.
E jamais o jornal servirá de abrigo,
Pois não haverá mais mendigos
Sem casa para morar
E finalmente teremos aprendido
Que ao ler mantivemos os braços estendidos
Simbolizando que queríamos abraçar.
Eduardo de Paula Barreto