ANTISSOCIAL
 
Sou um cara tão antissocial
Que nem no meu funeral
Estarei presente
Pois eu ficaria envergonhado
Ao me ver sendo velado
Por aquele montão de gente.
 
Dentro de mim mora um sujeito
Que não conheço direito
Pois vive se escondendo de mim
Às vezes se refugia na cabeça
E sem que eu perceba
Se mistura aos meus versos sem fim.
 
Por isso sinto saudade dos filhos que não tive
Dos lugares onde não estive
Dos amores que nunca vivi
Sinto saudade do meu futuro
Dos textos não escritos nos muros
Pois foram versos que deixei partir.
 
Quando me expresso em poesia
Vejo a minha real fisionomia
Estampada como um holograma
Que vai surgindo sobre a mesa
O que me traz a certeza
De que a poesia para fora me chama.
 
Eduardo de Paula Barreto
06/11/2011