ANJOS IRREVERENTES

 

Vi anjinhos brincando

Sobre as nuvens escuras,

Lá embaixo gente se desesperando,

A cidade se alagando

E eles em plena travessura.

 

Eles gostavam quando chovia

Porque as nuvens ficavam mais consistentes.

Era contagiante a alegria

Que emanava das estripulias

Dos anjinhos irreverentes.

 

Eles fingiam não poder voar,

Caminhavam pisando com energia,

Riam ao se molhar

E ao verem um raio disparar

Fingiam tirar fotografias.

 

Mas de repente a chuva parou

E uma voz disse: É chegada a hora,

Atentam para esta ordem que lhes dou,

Desçam, distribuam o amor

E consolem todo aquele que chora.

 

Eduardo de Paula Barreto