ANJO CAIPIRA
Da janela do carro ele avista um casebre,
De calça cara e relógio chique ri na poltrona.
Lá no morro um homem torce para que o carro não quebre
Enquanto prossegue tocando a sua velha sanfona.
O motorista do carro se julga importante,
Acredita que o caipira é um pobre-coitado,
Mas o carro não consegue fazer a curva adiante
E de repente se vê no meio da estrada deserta jogado.
Cuidadosamente o sanfoneiro se aproxima
E leva o motorista para a sua choupana
Depois de algumas horas ele se reanima
Após tomar um fresquinho caldo-de-cana.
É recebido por um sorriso banguelo
Que o manteve vivo até a chegada do socorro
E tomando as mãos daquele que o salvou do flagelo
Diz: – Agora sei que anjos tocam sanfona e vivem nos morros.