ANJO CAIPIRA

 

 

Da janela do carro ele avista um casebre,

De calça cara e relógio chique ri na poltrona.

Lá no morro um homem torce para que o carro não quebre

Enquanto prossegue tocando a sua velha sanfona.

 

O motorista do carro se julga importante,

Acredita que o caipira é um pobre-coitado,

Mas o carro não consegue fazer a curva adiante

E de repente se vê no meio da estrada deserta jogado.

 

Cuidadosamente o sanfoneiro se aproxima

E leva o motorista para a sua choupana

  Depois de algumas horas ele se reanima

Após tomar um fresquinho caldo-de-cana.

 

É recebido por um sorriso banguelo

Que o manteve vivo até a chegada do socorro

E tomando as mãos daquele que o salvou do flagelo

Diz: – Agora sei que anjos tocam sanfona e vivem nos morros.

 

Eduardo de Paula Barreto