ANIVERSÁRIOS
Aos dez era apenas criança,
Aos quinze já era mocinho,
Aos dezoito por pura vingança
Tentei morar sozinho.
Aos vinte desejei ser culto,
Aos vinte e cinco criei coragem,
Aos vinte e sete aprendi que ser adulto
Era a maior de todas as bobagens.
Aos trinta perdi os meus cabelos,
Aos trinta e três me vi de repente
Em meio a maduros pesadelos,
Foi aí que voltei a ser adolescente.
Aos trinta e cinco experimentei o amor,
Aos quarenta senti-me completo,
Aos quarenta e dois reconheci ser sofredor,
Pois o amor me transformou em objeto.
Aos cinqüenta abracei-me à minha amada
E vi em seus olhos um brilho terno,
Ela me disse enquanto me abraçava:
— Sinto que o nosso amor é eterno.
Então cheguei aos oitenta e seis
E quase não lembrava de mais nada,
Aí então nos olhamos pela última vez
E deixamos o mundo estando de mãos dadas.
Eduardo de Paula Barreto