AMPULHETA 
 
Tenha a visão ampliada
Ao vislumbrar a sua vida
Não a veja apenas da entrada
Mas finja já ter feito a caminhada
E a olhe também da saída.
 
O tempo é uma ampulheta
E nós somos o pó do seu interior
Sofremos ao passar pela canaleta
Para sermos almas novamente completas
Mas não há como voltar à posição anterior.
 
Depois do passar dos anos
Quando nos tornamos anciões
Revendo os nossos antigos planos
Descobrimos que entre acertos e enganos
Nossa vida se alimentou de ilusões.
 
A vida é como a luz que se esvazia
Permitindo que anoiteça
Mas a noite não mata o dia
Apenas nos dá a garantia
De que ela existe para que outro dia apareça.
 
Eduardo de Paula Barreto
09/08/2009