ALMA ELEVADA
Na luz do Grande Pai
Andarei o meu caminho
Sorrirei em meio aos meus ais
Aceitarei a coroa de espinhos.
Não blasfemarei aos céus
Nem rogarei pragas
Me curvarei tirando o chapéu
Diante daquele que a luz me traga.
Dividirei o meu pão
Quando outro tiver alimento escasso
Estenderei a minha mão
Àquele que experimenta o fracasso.
Enquanto choro as minhas dores
Duros prantos de agonia
Tomarei dos campos as flores
E as distribuirei com alegria.
E mesmo quando cair num buraco
Em minha busca pelo horizonte
Com sede, fome e braços fracos
Deitado no chão me farei de ponte.
Com as pisadas em minhas costas
Verterei lágrimas que o buraco inundarão
Serão tantas as águas postas
Que o meu corpo atingirão.
Como barco velejarei
Deslizando por sobre as águas salgadas
Ao imenso mar me fundirei
E como vapor a minha alma será elevada.
Eduardo de Paula Barreto