ALMA CHOROSA
Em gritos o seu nome chamarei,
Que tais gritos não sejam em vão
E pelas ruas lhe buscarei
E de você a cada pessoa perguntarei
Quando em meio à multidão.
Também irei para o campo
E entre plantas caminharei
E enquanto derrubo o meu pranto
Seguirei tentando tornar-me santo
E a ajuda dos Céus suplicarei.
Ó Senhor que vê o meu sofrimento
O que fiz para sofrer tanto assim?
A mulher com a qual compartilhei os meus aposentos,
A quem dediquei cada singular momento
Nem sequer pensa em mim.
Por que o amor surgiu em meu peito
Se era para transformar-se em dor?
A saudade é sentimento que rejeito
Porque em angústia transformou o meu leito
E só recebo abraços do meu cobertor.
E sob esta árvore frondosa
Aguardarei os próximos acontecimentos
E se a Divindade generosa
Não puder aliviar a minha alma chorosa,
Esperarei pelo auxílio do tempo.
Eduardo de Paula Barreto