ALGODÃO
Lindo campo cultivado
Fruto de calejadas mãos,
Vento constante e irado
Que arranca e deixa espalhados
Flocos brancos de algodão.
Um chumaço mais afortunado
Se vê solto no ar
E fica encantado
Ao olhar para o lado
E ver passarinhos a voar.
Ele fica intrigado
E quando um pardal passa,
Pergunta ao vizinho alado:
— Como pousar quando estiver cansado
Se sou desprovido de asas?
O pardal então responde:
— Você é um estranho passarinho,
Voa sem saber para onde,
Mas sem o vento não vai longe,
Se quiser descer eu o levo para o meu ninho.
Então ele é preso entre os bicos
Do esperto pardal nas alturas
Que promete levá-lo para o ninho mais bonito
Que ele está construindo num eucalipto
No alto na parte mais segura.
Quando chegam ao destino
Ele fica decepcionado,
Se vê apenas servindo
De forração que vai surgindo
Quando a gravetos é misturado.
Agora não enfeita mais os campos
Nem é capaz de voar,
A sua vida perdeu o encanto
E também deixou de ser branco,
Foi o que o fez chorar.
Chorando tornou o ninho encharcado,
Impróprio para ser abrigo
E por ele ter ficado pesado
O pardal ficou irritado
E o destruindo lançou-o no abismo.
Agora jogado no chão
Ele se viu novamente contente,
Lembrou-se que o seu coração
Era a sua salvação
Por tratar-se de uma semente.
Eduardo de Paula Barreto