ALFORJE

 

Durma enquanto houver sono

Se alimente enquanto tiver fome

Se não tenho fome, não como

Quem não tem sono, não dorme.

 

Se dê um sorriso de presente

Saia à toa para andar

Pois talvez no futuro não tenha dentes

E alguém precise lhe carregar.

 

Abrace os que o rodeiam

Se permita se emocionar

Pois as pernas com o tempo arqueiam

E talvez não consiga se esticar.

 

Caminhe como aquele animal

Que leva nas costas um alforje

Com provisão para um futuro ideal

Mas não muito pesado para o dia de hoje.

 

Eduardo de Paula Barreto