ALÉM DAS GRADES

 

 

A folha desprendida da árvore,

O lápis sobre o papel,

O vôo do homem no cárcere,

Das grades parte para o céu.

 

A pomba que ultrapassa os muros,

As nuvens que buscam o horizonte,

Os dias em que nem o Sol ilumina o escuro,

O triste hoje produzido pelo impensado ontem.

 

Uma vida reduzida a poucos metros quadrados,

Um espírito agora com duas limitações,

A primeira é o corpo que limitado traz pouco aprendizado

E a segunda são os altos muros da prisão.

 

Mas como não existem grades para a mente,

Ela pode, portanto, raciocinar

E buscar, mesmo em situação tão deprimente,

Lições que tragam progresso e assim se libertar.

 

Eduardo de Paula Barreto