ÁGUAS QUE ROLAM

 

Tudo passa

Tudo há de passar

O rio só tem graça

Porque a água se recusar a parar.

 

E não adianta se cansar

Terá que continuar a descer

E quando o seu objetivo alcançar

Ninguém mais a desejará beber.

 

Quando chegar no mar salgado

Não pense que poderá descansar

Acaso existe mar parado?

Não, até ele precisa rolar.

 

E no momento mais relaxante

Quando parecer poder repousar

O Sol com o seu calor escaldante

Para cima lhe fará evaporar.

 

Nas nuvens entre gotas e eletricidade

Novamente em grupo irá se reunir

E em alta velocidade

Como chuva na Terra irá cair.

 

Depois de sugada pela seca terra

Conhecendo o mundo intraterreno

Surgirá como nascente no alto da serra

Tornando o seu existir completo e pleno.

 

Mas se no meio de sua jornada

Tivesse se recusado a cumprir a sua missão

Seria água fétida, estagnada

Na qual ninguém ousaria por a mão.

 

Eduardo de Paula Barreto