ÁGUA SERENA
Essa água que corre serena
Na mais aprazível cena
Me faz na margem divagar
E deitado sobre a grama
Sinto no peito a chama
De um coração a disparar.
Ele dispara e eu vou longe
Para além do horizonte
Para trazer à memória
A imagem daquela que amo
E que um dia por desengano
Simplesmente foi embora.
Já coberto por vagalumes
Me lembro que foi por ciúme
Que ela me deixou
Pois por eu ser carinhoso
Amigo e atencioso
Como infiel ela me julgou.
Tentei explicar, mas foi em vão
Ela não me deu atenção
E disse que eu jamais a veria
E deixou-me de maneira covarde
Saindo sem fazer alarde
Enquanto eu dormia.
Antes eu a tivesse traído
Pois assim teria merecido
Ser punido com tão grande dor
Mas não deixarei surgir em mim
Qualquer sentimento ruim
Para não destruir o amor.
Nas manhãs e noites vindouras
Antes e depois da lida na lavoura
Virei para esperá-la neste lugar
E não importa o quanto demore
Assim enquanto as águas correm
Eu não desistirei de esperar.
Eduardo
de Paula Barreto
22/09/2010