ÁGUAS DE RIBEIRÃO
Finjo estar sempre sedento
Para dirigir-me ao ribeirão,
Lugar rico em encantamento
Em cujas águas encontro alento
Ao me entregar à reflexão.
As águas que escorrem por minhas mãos
Voltam contentes ao seu leito
E vão longe deslizando sobre o chão,
Seguem cumprindo a sua função
Em caminhos largos e estreitos.
Nas cachoeiras
Fazem lindos espetáculos
E se surgem pedras traiçoeiras
Elas seguem pelas beiras
Desviando-se dos obstáculos.
Quando pensam não terem mais valor
Por estarem num lago ao léu,
Sob a luz do Sol abrasador
Se transformam em puro vapor
E são elevadas aos céus.
Eduardo de Paula Barreto