AFAGO POÉTICO 
 
Coberto pelo manto de poeta
Pego logo uma caneta
E a transformo em instrumento
Que imitando máquina fotográfica
Cria imagens ortográficas
Como fotografias do pensamento.
 
Assim fica registrado
O pensamento transformado
Num conjunto de versos em poesia
E mesmo depois de muito tempo
Ao ler o leitor viaja para dentro
Das realidades e fantasias.
 
Ao ver-se no interior do texto
Ele esquece de todo o resto
E testemunha a visão poetizada
E assim chega à conclusão
De que apesar de sermos multidão
Temos as mesmas dúvidas compartilhadas.
 
A poesia não vem como resposta
Mas como afago que cada um gosta
De carinhosamente receber
E o poeta se realiza
Quando é dele a mão que desliza
Acariciando com o escrever.
 
Eduardo de Paula Barreto
31/05/2009