AÇUDE
Talvez tal qual juiz me julgue,
Me considere mente insana
Ao ver-me sentado à beira do açude
Falando com peixes, águas e plantas.
Talvez você até me interrogue
Se não percebo agir como um louco,
Então sugiro que se acomode
E que se aproxime mais um pouco.
Amigo, veja que o Sol se retira
E a Lua ocupa o seu lugar,
As estrelas refletidas em sua retina
Assim como eu ousaram conversar.
Repare que o equilíbrio do Universo
Se baseia numa conversa que surge
Sem palavras, verbos nem versos,
Assim como a minha conversa com o açude.
Eduardo de Paula Barreto