A CIGARRA

 

 

Na árvore numa tarde de verão,

Uma cigarra canta orgulhosa,

Enquanto uma formiguinha no chão,

Carrega uma folha volumosa.

 

Ironicamente a cigarra pergunta

Por que ela trabalha por horas a fio

E a formiguinha a outras se junta

Dizendo estocar alimentos para o frio.

 

Então em meio às suas próprias gargalhadas

A cigarra sai voando

E a formiguinha empenhada

Continua estocando.

 

Chega o inverno insuportável,

A formiguinha saciada dorme

E a cigarra fraca, miserável,

Não canta mais devido à enorme fome.

 

Eduardo de Paula Barreto