ABRIGO DA FÉ
Yoyo, saia rodada,
Pés descalços no chão,
Pião vivo, tontura aguardada,
O eternizar da tradição.
Roda feita por palmas,
Atabaque e vozes estridentes,
Vários corpos em uma alma,
Olhos brilhantes e sorridentes.
Pratos cuidadosamente preparados,
Temperos extremamente fortes,
União dos vivos e desencarnados
Desmistificando o sentido da morte.
Cultura trazida da velha África,
Cultivada pelos negros cativos,
Acima dos rituais permanece a mágica
E a certeza de que a fé não escolhe abrigo.
Eduardo de Paula Barreto