A TOCA DA ONÇA

 

Doce e pequeno lar

Incrustado na montanha

De onde se ouve o piar

Da ave que para se refrescar

No rio sempre se banha.

 

É uma quente tarde

E no mato começa a chover

E o covarde

Caipira invade

Uma toca para se proteger.

 

Se sente protegido

Distante da tempestade que cai

Mas ouve um som esquisito

Quando pensa: - Ih, tô frito

Isso é barulho de onça uai!

 

Sai correndo sob a chuva

Morrendo de medo

Pisa numa formiga saúva

Que com muita raiva gruda

Bem na ponta do seu dedo.

 

Escorrega na lama

E bate a cabeça no chão

Sem querer come grama

A cabeça fica em chamas

E o dedo do pé vermelhão.

 

Chega em casa e pergunta pelos meninos

Ao que a esposa o conforta:

-         Não fique aí se deprimindo

Pois eles estão no mato se divertindo

Brincando de onça na toca.

 

EDUARDO DE PAULA BARRETO