A SANTA

 

Estava à toa na janela

Olhando a procissão passar,

Cada um carregava uma vela

Seguindo a imagem singela

Da Santa sobre o altar.

 

Alguns faziam pedidos

Enquanto outros agradeciam

Pelas graças que haviam recebido,

Todos pareciam convencidos

De que a Santa os ouviria.

 

A fé permanecia latente

No peito em sagrada clausura

E para romper as correntes

Chegando perto do Deus Onipotente

Ela fazia uso daquela escultura.

 

Mas ainda chegará o dia

Em que não haverá rituais,

O fiel gozará da alegria

De entrar na Divina sintonia

Ao ver com os olhos espirituais.

 

Eduardo de Paula Barreto