A FLAUTA

 

Doce flauta de menino triste

Que sentado numa pedra soa,

Se transporta para um mundo que não existe

E mesmo sabendo disso insiste

E vê a sua figura refletida na lagoa.

 

  O vento faz balançar a sua imagem,

Então ele se imagina num navio,

É marinheiro cheio de coragem,

Temido e respeitado personagem

Que desafia o oceano bravio.

 

Ao longe vê surgir uma ilha,

Terra cheia de tesouros

E com os companheiros compartilha

A alegria de ver o metal que mais brilha,

São montanhas de preciosidades e ouro.

 

  Depois de ter tornado o navio repleto

De tudo o que o homem ambiciona,

Toma o caminho inverso

E a toda velocidade vai direto

Para os braços da mulher que ama.

 

  Abraçados na praia deserta

Se amam e nada mais lhe falta

E de repente com a visão aberta

Acorda, se desperta

E deixa cair a doce flauta.

 

Eduardo de Paula Barreto