A DAMA DOS MORROS
Sobre a terra úmida
Coberta por folhas mortas
Envolta numa rústica
E escura túnica
A mulher de olhos de fogo galopa.
As patas do seu cavalo
Não deixam marcas no chão
E embora possa testemunhá-lo
Ninguém acredita no que eu falo
Vi, sei que vi uma assombração.
Acreditem em mim, ó tolos
O que eu vi não foi miragem
Era a dama dos morros
Aquela que causa choros
No meio da vida selvagem.
Então levo comigo
Alguns dos que zombaram de mim
Nos protegemos num abrigo
Eu e mais quatro amigos
Esperamos que o dia chegue ao fim.
A noite desce imponente
E as nuvens escondem a Lua
Não vejo nada à minha frente
Começo a ouvir tremores de dentes
E percebo que de medo se sua.
Depois de pouco tempo
O silêncio é quebrado
Eu digo: Fiquem atentos
Isso é só barulho do vento
Diz um dos amigos irritado.
Então ele se levanta
E dá alguns passos
Algo o toma pela garganta
Acendo a lanterna, mas não adianta
Alguém o pendurou num laço.
Enquanto recolhemos o morto
Olhamos ao lado e vemos
A mulher dos olhos de fogo
Que com a mão transpassa o corpo
De outro amigo e assim o perdemos.
Então ela mata todos
Apenas eu sou poupado
Ela manda que eu procure o povo
E diga a ele de novo
Que a mata é o seu reinado.
Montada no seu cavalo negro
Ela sai em desabalado galope
Levando consigo o seu segredo
Enquanto eu abalado de medo
Nem acredito ter escapado da morte.
Voltando para a cidade
Quase sem nenhuma força
Procuro as autoridades
Lhes conto a verdade
E sou condenado à forca.
Na hora da execução lêem o meu veredicto:
‘Culpado por quatro assassinatos’
Então executam o corpo e voa o espírito
Que antes de conhecer o infinito
É tomado pela criminosa de fato.
Agora você servirá de açoite
Provocando dores de agonia
Eu serei sempre a dama dos morros à noite
E você será o homem da foice
Que ceifará vidas durante o dia.
Eduardo de Paula Barreto