A BRUXA

 

Havia uma pequena cidade

Onde vivia uma senhora

Cheia de habilidades,

Era bruxa de verdade,

Pelo menos, estava escrito lá fora.

 

Na plaquinha sobre a porta

Estava escrito ‘Faço bruxaria,

Atendo gente viva e gente morta,

Trago amores perdidos de volta

E cobro uma mixaria’.

 

Então aproximou-se Maria da Luz ,

A moça abandonada pelo namorado.

Antes de bater fez o sinal-da-cruz

E disse: Ai Jesus,

Não deixe sair nada errado.

 

A porta então se abriu

E surgiu uma horrível figura.

Maria quase desistiu,

Mas a bruxa a persuadiu

Ao puxá-la pela cintura.

 

Entre, não tenha medo,

Sei que posso lhe ajudar,

Conheço o seu segredo,

O que a trouxe aqui logo cedo

Foi a saudade do Itamar.

 

Sente-se, vou ler as cartas,

Direi tudo sobre a sua vida,

Vejo que o Itamar usa farda,

É soldado da Guarda

E passa os dias numa guarita.

 

Maria ficou espantada

Com tanta precisão.

Como a bruxa acertava

Toda vez que tirava

Uma carta de sua mão?

 

A bruxa vendeu-lhe uma poção

Dizendo que era milagrosa,

Que ela amoleceria qualquer coração

E que deixaria Itamar em suas mãos,

O que curaria a sua alma chorosa. 

 

Após pagar, Maria se retirou,

E fez como lhe foi ensinado,

Destampou o vidrinho que comprou

E todo o seu conteúdo derramou

Nas águas límpidas do lago.

 

Na noite seguinte, batendo palmas no portão,

Alguém gritou o seu nome sem parar,

Ela olhou e não acreditou na sua visão,

Estava em pé com flores nas mãos

O seu amado Itamar.

 

Ela o aceitou de volta, mas perguntou

O que o fez resolver voltar,

Ele então lhe explicou

Que o padre da paróquia o aconselhou

Após ouvi-lo se confessar.

 

Ela também costumava

Confessar os seus pecados

E no padre tanto confiava

Que com ele compartilhava

A dor por ter perdido o namorado.

 

Maria revelou o segredo da bruxa

E Itamar se engasgou ao entender tal milagre,

Ela bateu em suas costas e disse: Tussa,

O que aconteceu? Desembucha!

Ele disse: É que essa velha é a mãe do padre.

 

Eduardo de Paula Barreto