A BORBOLETA
Caminho de terra batida,
Folhas secas sobre o chão,
Árvores retorcidas,
Florzinhas coloridas
E o Sol manifesto em clarão.
O azul do céu por entre as folhas,
O ar puro invadindo o meu nariz
E antes que o Sol se recolha
Uma borboleta me olha
E pergunta se fui eu que fiz.
Fiz o que criatura?
Então ela me responde:
— Ué, toda essa formosura
Daqui de baixo até as alturas
E também o horizonte.
Não, minha amiguinha alada,
Eu não sou o criador,
Na verdade não sei nada,
Nesse jardim e nessa estrada
Sou apenas um morador.
Mas você tem a beleza das cores
E o poder de voar,
Quem a fez foi o maior dos pintores,
Aquele cuja alma é de amores
E que como Deus se permite chamar.
Eduardo de Paula Barreto